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Ao unir o ofício de fotógrafo à vocação de militante, GREGÓRIO BRUNING cria o testemunho imagético de uma Curitiba indescoberta – que os jornais só se lembram de registrar nas páginas policiais, mas que é na verdade o coração de onde verte o sangue da cidade: e revela que essa Curitiba é mais bela que a outra…

Da primeira dama constrangida em meio a manifestações de moradores sem-teto, aos não-moradores que, desde o agasalho do útero, esperam na rua (sob um teto de céu) o último abrigo da terra. Do crack nas esquinas às prostitutas da cidade. Do famoso Plínio de Arruda Sampaio, um dos maiores representantes da esquerda, ao anônimo, mais anônimo porque se faz questão de esquecê-lo… Quem deu as caras em Curitiba, especialmente aquele que luta por direito e dignidade, constitui o sentido e a interrogação buscados pela câmera analógica de Gregório Bruning, que realiza sua primeira mostra individual neste próximo sábado, (25) na Galeria MÍMESIS.

Desde o final de 2010, ano em que começou a se dedicar a fotografia, após o início de uma carreira como músico, o fotógrafo procura captar o “momento crítico” – aquele que interessa em profundidade ao indivíduo e à cidade. Mas é como chefe da sessão de controle e manutenção do acervo histórico do Museu da Justiça que Gregório Bruning paga as contas; o deixa livre de permitir que a elite insensível – que desconhece arte, mas quer se servir de seu prestígio – faça como tem feito desde a Baixa Idade Média: o contrate para representar seus casamentos e débuts, tentando produzir símbolos e signos para eventos no fundo insignificantes (fotos que, por isso, irão jazer nas paredes das casas e álbuns de família como em lápides de cemitério: interessantes apenas para curiosos desconhecidos…).

Gregório atua efetiva e afetivamente nos temas que elege – motivo que faz com que seu trabalho, ainda em formação, já expresse uma abordagem visceral. Não é um “observador de fora”, como o jornalista de última hora que vai cobrir um evento contratado pelo jornal, nem o diletante que fotografa en passant – ele é, via de regra, um dos organizadores da manifestação, senão um dos coordenadores do movimento da qual surgiu. Evidente que as lutas representadas em seu trabalho fundam-se num sentimento universal chamado “humanismo” e luta por direitos civis (bem longe da politicagem rasteira), uma vez que a maioria dos retratados em suas fotos vivem ainda sob condições de barbárie.

Mas, ainda que inaugural, sua produção já apresenta o convívio múltiplo das interações poéticas que resultam daquele sentimento. Retrata também, ou melhor, manifesta, “fazendo aparecer” a poesia da luta, a poética também presente no cotidiano daqueles que entre barracos de lona em ocupações encontraram uma solução para viver, (enquanto deste lado da cidade são considerados um problema social). Retrata não o sorriso gratuito da fatuidade satisfeita, mas o sorriso constrangido, ainda que feliz, da surpresa de ver-se por um instante alvo de interesse. Revela não o sorriso fácil da pose, mas o do pleno gozo da fruição dos direitos conquistados e da reivindicação do sorrir. Capta o momento alegre do convívio, e também o trágico: porque a vida e a cidade não são feitas apenas de sorrisos… Nesta versão unilateral e “oficial” dos fatos é onde se encontra a verdadeira pobreza.

Gregório ainda não é da “aldeia” – terá de conquistar seu espaço com muitos cliques e talento – sem conchavos, nem contatos. Não será problema a quem em 2 anos, sozinho conquistou o domínio da câmera analógica, a pouco tempo ampliava suas fotos na despensa de casa e hoje montou seu próprio laboratório, com câmeras de segunda mão, aparatos advindo de antigos laboratórios e presentes de amigos. Desde então, dedicando-se sempre à fotografia artesanal, já ampliou uma centenas de fotos, cuja qualidade se vê de imediato. Com a preferida lente SMC Takumar f1.4 de sua antiga Pentax Spotmatic F, no labor de seu ofício o artista fabrica, com o breu silencioso do laboratório e o branco imaculado do papel de prata, o ouro cinzento da vida, peneirado em grãos: vida que a grande mídia esconde, porém teima em existir.

Algumas imagens do trabalho de GREGÓRIO BRUNING:

http://www.flickr.com/photos/gregjacobino

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